Aprender não é subscrever: o problema silencioso da formação online
Há uma sensação que se instala devagar, quase sem darmos por ela. Começa como entusiasmo, que é aquele impulso de querer aprender mais, fazer melhor, evoluir.
Compras um curso, depois outro, depois mais um…
No início, parece progresso. Há novidade, há descoberta, há a ilusão de avanço. Mas, a certa altura, há algo não bate certo.
Sabes mais… mas não fazes mais!
E é aqui que dás de caras com o inevitável: a maioria da formação online não foi desenhada para te tornar competente. Foi desenhada para te manter envolvido.
Não é uma teoria da conspiração. É modelo de negócio.
Os cursos são organizados para maximizar retenção, não transformação. Os conteúdos são fragmentados, simplificados até ao ponto de perderem a utilidade prática. Levas com promessas que falam de resultados, mas que evitam falar de processos. Porque processos são menos vendáveis, exigem tempo, exigem erro, exigem desconforto.
E o desconforto não converte.
O problema não está no facto de existirem cursos. O problema está na forma como foram moldados para responder a métricas de venda e não a métricas de aprendizagem. Quando o sucesso de um curso se mede pelo número de inscrições e não pela capacidade dos alunos de aplicar o que aprenderam, alguma coisa ficou pelo caminho.
E isso vê-se todos os dias, dentro e fora do ecrã.
Nota-se quando alguém termina uma formação e, perante uma tarefa real, hesita. Quando precisa de voltar atrás, rever, procurar mais um vídeo, mais um guia, mais uma “explicação simples”. Nota-se na dependência contínua de conteúdo, como se aprender fosse um estado permanente de preparação… que nunca chega à execução.
A pergunta que raramente se faz, mas que devia ser fundamental, é esta: este curso prepara-me para agir ou apenas para consumir?
Se a resposta não for clara, o risco é evidente.
A formação online tem potencial para ser uma das ferramentas de capacitação mais poderosas que já existiram. Mas só o será se recuperar aquilo que tem vindo a perder, dia após dia: a profundidade, a exigência, a responsabilidade.
Aprender não pode ser sempre confortável, se o for, não estás, realmente, a aprender!
Porque aprender, a sério, implica mudança. E mudança nunca é neutra.


